"O Bebado e a Equilibrista" de Elis Regina
Claro, nasci no "finalzinho" da dona 'tia' Ditadura Militar... Entretanto, sempre que vou a um barzinho (coisa que gosto, e isso não é pecado algum) e vejo um "som legal" ao vivo, peço "O Bêbado e a Equilibrista", interpretado pela grande Elis Regina. Escrita e melodiada por JOÃO BOSCO e por ALDIR BLANC, faz referência ao "bêbado de chapéu-côco", ou seja, Charlie Chaplin, que, com sua comédia, também resolveu fazer críticas à Inglaterra... Merecendo exílio (como o irmão do Henfil...)...
Amo essa canção porque ela vem carregada de significados. Sendo eu um "filósofo" e também um "teólogo", encanta-me as coisas ocultas que encontro nesses textos. Vamos lá!
A letra foi escrita por João Bosco e com melodia de Aldir Blanc em pleno tempo de ditadura militar. Ora essa, isso significa que foram revolucionários. Mas, em verdade, Elis foi revolucionária em dois aspectos: uma mulher (que não tinha direito de vez e nem de voz - militantemente falando) muito menos politicamente... Canta uma canção que se torna hino da anistia política de muitos, inclusive do sociólogo Betinho (ativista pelos direitos humanos, perseguido e exilado na época do regime militar) era irmão do "tal do Henfil" - que para a época era mais forte que para a "volta do irmão do Betinho", (Henfil foi um cartunista apresentado a Aldir Blanc pela própria Elis Regina no ano de 1975). O tal "bêbado com chapéu-côco", faz referência à morte de Charlie Chaplin, falecido em 1977, que lutou por um cinema mais digno e livre de censuras (afinal, somente os ricos podiam, naquela época) frequentar os "cinemas" iniciados pelos irmão "Lumière".
Quando Hebert de Souza (o Betinho), ouviu "O Bêbado e a Equilibrista" quando estava exilado no México. Henfil, seu irmão cartunista, telefonou a ele e deixou tocar a música no fone do telefone, sem nada mais falar! E escreveu, numa carta, em seguida: "Mano velho, prepare-se! Agora nós temos um hino e quem tem um hino faz uma revolução!".
Em seguida veio a Campanha de Anistia Irrestrita! Foi a primeira movimentação nacional que obteve sucesso desde o início da sangrenta ditadura militar no Brasil. Vários manifestos ocorreram no mundo inteiro, inclusive a Conferência Internacional da Mulher, no México, que, tornou 1975 O Ano Internacional pela Anistia.
Em 1979, Betinho desembarcou no Aeroporto de Congonhas e se deparou com uma manifestação: Cerca de duzentas pessoas cantavam "O Bêbado e a Equilibrista".
Confira a grande canção de Elis:
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